Por onde andam os animais que recuperam no RIAS e são libertados?

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Todas as aves que são recuperadas e devolvidas à Natureza pelo RIAS, apresentam algum tipo de marcação. Sejam anilhas metálicas, de PVC, marcas alares ou nasais. 

Graças a estas marcações, é possível estudar possíveis rotas migratórias, e até mesmo conhecer melhor a longevidade etária de várias espécies.

Abaixo destacamos alguns dos casos que mais nos impressionaram!


Felosa-comum (Phylloscopus collybita

Em janeiro de 2013, esta felosa-comum foi entregue no RIAS, com suspeitas de que pudesse estar ferida/debilitada. Após exame físico, não lhe foram encontradas lesões, e foi libertada de imediato. 

Sendo uma espécie invernante no nosso país, terá realizado mais tarde a sua migração anual até ao norte da Europa para nidificar. Em novembro desse mesmo ano, foi observada novamente no concelho de Olhão. As duas migrações anuais que esta pequena ave faz (pesa cerca de 10 g), são sem dúvida um feito incrível.   

 

Ganso-patola (Morus bassanus)

Este ganso-patola juvenil ingressou no nosso centro no final do mês de outubro de 2016, apresentando sinais de debilidade. Após terem sido administrados fluídos sub-cutâneos, foi alimentado por sonda com alimento líquido, dada a sua incapacidade para aceitar alimento sólido.

Apresentando melhorias significativas, pôde ser devolvido à Natureza cerca de quinze dias depois do seu ingresso.


Quase quatro anos mais tarde, a 21 de junho de 2020, deu entrada no Centro de Recuperación De Especies Amenazadas, Dunas De San Antón, em Cádiz, Espanha, e infelizmente não sobreviveu.


Grifo (Gyps fulvus)

Este ano também já recebemos informação de que um grifo que recuperou e foi anilhado no RIAS em 2009, foi observado em Zorita del Maestrazgo (Castéllon, Espanha), a 740km do local de origem. 

Foi-lhe colocada uma anilha colorida de PVC quando tinha apenas um ano de idade, e graças a esta marcação, sabemos agora que o animal observado já tem 10 anos de idade.


Mas já tivemos espécies observadas a grandes distâncias. 

? Pato-trombeteiro (Anas clypeata)

Facilmente identificável, devido ao seu característico bico comprido e largo em forma de colher, é uma das espécies de patos mais comuns no nosso país durante a época de Invernada.

Este indíviduo ingressou no RIAS em outubro de 2016 por apresentar sintomas compatíveis com botulismo (paralisia muscular, debilidade), e após ter recuperado, foi devolvido à Natureza com uma marca nasal.

Dois anos mais tarde, em setembro de 2018, foi observado no sul de Inglaterra.


Gaivota-d’asa-escura (Larus fuscus)

Esta gaivota-d’asa-escura recuperou no RIAS e foi devolvida à Natureza também em 2016. Todos os anos recebemos informação de que é observada na Islândia, e 2020 não foi exceção. Já terá certamente percorrido milhares de quilómetros durante as suas migrações nestes quatro anos que passaram desde a sua anilhagem.


? Águia-cobreira (Circaeuts gallicus)

Em Agosto de 2018, ingressou uma águia-cobreira (Circaetus gallicus) proveniente da região de Beja, com uma luxação no coracóide esquerdo que estaria a impedir a ave de voar. Depois de recuperada, e para que pudéssemos ter informação da sua rota migratória, foi-lhe colocado um emissor de GMS (Geographical Mobile System) pelo ICNF. 

Assim, foi-nos possível saber que após ser libertada migrou até Mali, em África – percorrendo cerca de 3500 km – onde ficou durante todo o inverno.




Mas não são apenas as aves a serem observadas ou mesmo reingressadas no nosso centro.

No momento de ingresso de ouriços no RIAS, é-lhes pintada uma pequena mancha nos espinhos da região anterior e/ou posterior. E naturalmente, quando são devolvidos à Natureza ainda apresentam esta marca, que irá desaparecer mais tarde quando nascerem novos espinhos. 


? Ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus)

O ouriço abaixo foi encontrado na Fuseta e transportado até ao RIAS. Durante o exame físico, foi possível observar vestígios da mancha que lhe havia sido pintada meses atrás, quando ingressou pela primeira vez no centro.

Sempre que estiver a passear e consiga fotografar a anilha de uma ave, poderá enviar para a Central Nacional de Anilhagem, e estará desta forma a contribuir para muitos dos projetos de investigação existentes.

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